
—Você reparou como os estudantes que chegam todo ano na universidade estão cada vez mais jovens?
—Acho que eles estão na idade certa, nós é que estamos ficando cada vez mais velhos.
Uma das melhores coisas de se viver aqui é que não importa o quão ridicula eu esteja vestida [e eu garanto que sou boa nisso—saia longa com vestido, touca de pele de urso falso e tamancos de camponeses portugueses] absolutamente ninguém se importa. Nunca me senti examinada ou sendo alvo de zombarias, mesmo daquelas [hi hi hi] discretas. Muito pelo contrário, quando alguém me nota é sempre pra fazer um elogio, tipo amei a sua saia, que botas legais você está usando ou seu visual é super bacana.
Me perdi da minha amiga e sentei sozinha pra almoçar numa mesa no restaurante da universidade. Dois rapazes saídos do Big Bang Theory pediram licença pra sentar comigo. Um indiano e outro loiro gordinho, os dois comendo burritos gigantes com nachos, começaram a puxar papo—você trabalha aqui ou estuda? faz o que? onde? Me contaram que estudam biologia molecular. Eu o tempo todo com uma cara de "mocinhos, vocês nao precisam puxar papo só porque estão dividindo a mesa com outra pessoa". E esse convercê forçado rolando enquanto eu tomava sopa com o garfo e tinha um verde entre os dentes. Grrr!
Fer Guimarães Rosa, web worker, food blogger e mãe do moço mais lindo do mundo, veste camisa Target, camiseta Banana Republic, jeans Lucky Brand, broche de thrift store e echarpe de fibra de bambu que comprou em Londres. [simulando um editorial casual pra revista brasileira TPM]
[hi hi hi]


Tenho gostado imensamente de viver na nossa bolha do tempo, na vizinhança antiga, uma casa antiga, recheada de tranqueiras antigas, escutando uma trilha sonora antiga, assistindo cenas de filmes e envolvendo-se em tramas antigas. Tudo isso amparado por uma incrível modernidade, como a possibilidade de carregar pelos cômodos da casa todas as jóias preciosas do passado musical e cinematográfico dentro de pequenas gadgets, como iphone ou ipad. Uma combinação imperfeita do que pode ser e o que apenas parece que é. É tremendo paradoxo, eu admito. Mas é muito legal, exatamente por ser extraordinário.
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Meu marido—aquele moço grisalho com uma cara de bunda atrás de mim nas lojas de roupa no dia seguinte do Natal. Eu queria muito a companhia dele, mas errei insistindo pra ele ir comigo. As lojas estavam absurdamente abarrotadas de gente e ele com aquela cara de nhoque. Dai fui toda pimpona experimentar um casaco de pele falsa de urso branco e ouvi—esse casaco parece o tapete do banheiro. grrrrrr!

Tenho uma vizinha super charmosa. Tudo dela é bonito e discreto. Copiei descaradamente as luzinhas de Natal que ela colocou nas janelas da casa dela. Copiei também a guirlanda natural na porta da frente. Se bem que o Uriel disse que na dela tem um toque de vermelho e na minha não tem. Fón!
Nunca trabalhei tanto nem tão rápido. Mas férias já estão surgindo no horizonte. E não quero ver caras nem falar de assuntos de trabalho por duas semanas. Meu filho foi prá lá e minha irmã está vindo pra cá. Trocas de hemisférios nesta época do ano são um pouco traumáticas. Calor lá, frio aqui. E as seis horas de diferença de fuso horário que realmente acabam com qualquer um. Estou animada com as decorações de Natal, porque este ano teremos uma árvore de verdade, que será escolhida no bosque das árvores natalinas pelos meus sobrinhos. Comprei até enfeitinhos novos. Justo eu, a blasé. Natal é uma festa que me deixa mais triste do que feliz, porque pra mim parece que o mundo enlouquece por um mês, entra em surto por uma noite, quando todas as frustrações são descontadas nas comidas e presentes. E acabou, recicla os papéis coloridos rasgados, congela dos restos de peru e farofa e segue-se em frente, igualzinho como antes. Porque na verdade nada muda. Nem com o inicio do novo ano. Nestas férias de final de ano não quero fazer nada, nem me preocupar, nem estressar, nem me cansar. Se conseguirei, isso já é outra história.